Diante dessa situação,
podemos ver surgir na prática educativa várias tendências pedagógicas que tem
se firmado nas escolas. É também necessário esclarecer que nenhuma das
tendências aqui mostradas aparece de forma pura e muito menos conseguem captar
toda a riqueza da prática em sua totalidade.
As tendências pedagógicas
são classificadas em liberais e progressistas, são elas:
LIBERAIS: PROGRESSISTAS:
Tradicional
Libertadora
Renovada progressivista Libertária
Renovada não diretiva Crítico-social dos conteúdos
Tecnicista
PEDAGOGIA LIBERAL: Sendo uma pedagogia própria da sociedade
capitalista, ela sustenta a ideia de que a escola tem por função preparar os
indivíduos para o desempenho de papeis sociais, de acordo com as aptidões
individuais. É dividida em três tendências que são:
Tendência liberal tradicional: O papel da escola consiste em preparar o aluno
moralmente e intelectualmente, ou seja, prepará-lo para a vida, seu compromisso
é voltado para a cultura. Seus métodos são repetitivos com exposições verbais
feitas pelo professor, que é autoritário.
A aprendizagem é receptiva e mecânica.
Tendência liberal renovada progressivista: A finalidade da escola é adequar as necessidades
individuais ao meio social, retratando a vida o quanto possível, por meio de
experiências que devem satisfazer os interesses do aluno e as exigências
sociais. Trabalha com o método de “aprender fazendo”, com atividades adequadas
às etapas do seu desenvolvimento e o professor é um auxiliador desse
desenvolvimento.
Tendência liberal renovada não-diretiva: A escola se preocupa com os problemas psicológicos
mais do que com os pedagógicos ou sociais. Nessa tendência os conteúdos ficam
em segundo plano e os processos de ensino visam fazer com que os estudantes
busquem seu próprio conhecimento. É uma tendência centrada no aluno, visando
formar sua personalidade.
Tendência liberal tecnicista: A escola funciona como moderadora do comportamento
humano, através de técnicas específicas e atividade da “descoberta” é função da
educação. O maior interesse é de
produzir indivíduos “competentes” para o mercado de trabalho, utilizando-se da
ciência objetiva, eliminando-se qualquer sinal de subjetividade. Utiliza do material instrucional
sistematizado nos manuais, nos livros didáticos, nos módulos de ensino e nos
dispositivos audiovisuais e o professor é apenas um elo entre a verdade
cientifica e o aluno que é um indivíduo que não participa da elaboração do
programa educacional.
PEDAGOGIA PROGRESSISTA: Manifesta-se em três tendências: a libertadora, a
libertária e a crítico-social dos conteúdos. As versões libertadora e
libertária têm em comum o anti-autoritarismo, dão mais valor ao processo de
aprendizagem grupal do que aos conteúdos de ensino.
Tendência progressista libertadora: Mais conhecida como pedagogia de Paulo Freire, questiona
concretamente a realidade das relações do homem com a natureza e com os outros homens,
visando a uma transformação – daí ser uma educação crítica. Em relação aos
conteúdos, estes são extraídos d problematização da prática de vida dos
educandos. É uma pedagogia que tem caráter essencialmente político, o que
muitas vezes dificulta de ser colocada em prática. Utiliza-se do diálogo como
método de ensino, o professor coloca-se ao nível de seus alunos, adaptando-se
às suas características e ao desenvolvimento próprio de cada grupo e não
elimina toda relação de autoridade.
Tendência progressista libertária: A escola assume o papel de transformadora de
personalidade dos seus alunos num sentido libertário e auto gestionário por
meio de mecanismos institucionais de mudança. Há, portanto, um sentido
expressamente político, a medida que se tem o indivíduo como produto do social e que o
desenvolvimento do individual se realiza no coletivo. As matérias são colocadas
a disposição do aluno, mas não são exigidas, pois são um instrumento a mais,
porque o importante é o conhecimento que resulta das experiências com o grupo.
Os alunos têm a liberdade de trabalhar ou não, ficando o interesse pedagógico
na dependência de suas necessidades ou das do grupo. O professor assume um
papel de orientador, catalisador, instrutor e conselheiro, ele se mistura ao
grupo por uma reflexão em comum, pois a pedagogia libertária recusa qualquer
forma de poder ou de autoridade.
Tendência progressista “critico-social dos
conteúdos”: Diferentemente
das anteriores, acentua a primazia dos conteúdos no seu confronto com as realidades
sociais, conteúdos estes, vivos, concretos e, portanto indissociáveis dessas
realidades. A atuação da escola consiste na preparação do aluno para a vida
adulta e suas contradições. O professor torna-se um mediador de trocas de
conhecimentos estabelecidos na interação entre o meio (natural, social,
cultural). O papel do adulto é insubstituível, mas acentua-se também a
participação do aluno nesse processo. O aprender dentro da visão dessa
pedagogia dos conteúdos, é desenvolver a capacidade de processar informações e
de lidar com os estímulos do ambiente, organizando dados disponíveis da
experiência.
Podemos ver então que em cada
tendência pedagógica há uma postura no que diz respeito ao aluno e ao
professor. Em alguma delas o professor exerce uma autoridade que como se ele
fosse o detentor da verdade de forma absoluta, em outras os alunos tem a
“liberdade” de escolher se querem ou não participar das atividades pedagógicas.
Diante dessa perspectiva, podemos aceitar que o professor domine de forma autoritária
sobre a turma, ou aluno faça apenas o que deseja? Não, pois, situar o ensino
centrado no professor e o ensino centrado no aluno em extremos opostos, é quase
negar a relação pedagógica porque não há um aluno, ou grupo de alunos
aprendendo sozinho, nem um professor ensinando para as paredes. Há um aluno que
vive em confronto com sua herança cultural e seu modo de viver e um professor,
que deverá ajudar esse aluno ultrapassar suas necessidades e criar outras, para
ganhar autonomia, para ajuda-lo a distinguir a verdade do erro, para ajuda-lo a
compreender as realidades sociais e sua própria experiência.
Por: José Gerlan Ferreira Santos
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