domingo, 19 de junho de 2016

Tendências Pedagógicas na prática escolar

 A prática escolar só é possível quando existem condições que assegurem a realização do trabalho docente, condições estas que vão além do pedagógico, pois sabemos que a escola possui funções atribuídas pela sociedade que é heterogênea e com interesses diferentes. Assim o papel da escola se configura em diferentes concepções como consequência dos condicionamentos sociopolíticos da sociedade. Tudo isso implica na realização do trabalho do professor em sala de aula de forma implícita ou explícita, em relação a essa prática há alguns que se baseiam naquilo que aprendeu com outros profissionais, outros são capazes de perceber sua prática no sentido mais amplo e também há aqueles que se atém a ultima tendência sem se preocupar se esta trará resultados à sua prática. Outro fator importante a ser citado nos diz a respeito dos cursos de formação de professores que quase sempre giram em torno de teorias de aprendizagens que muitas vezes não condiz com as realidades vividas, ou não incluem o estudo de correntes pedagógicas. Tudo isso causa certa confusão na cabeça dos professores, pois este vive em uma sociedade onde sua prática é influenciada de diversas formas. Nessa perspectiva Saviani (1981) nos diz que: “Os professores tem na cabeça os movimentos e os princípios da escola nova. A realidade, porém, não oferece aos professores condições para instaurar a escola nova, porque a realidade em que atuam é tradicional.”
Diante dessa situação, podemos ver surgir na prática educativa várias tendências pedagógicas que tem se firmado nas escolas. É também necessário esclarecer que nenhuma das tendências aqui mostradas aparece de forma pura e muito menos conseguem captar toda a riqueza da prática em sua totalidade.
As tendências pedagógicas são classificadas em liberais e progressistas, são elas:

LIBERAIS:                                                     PROGRESSISTAS:
Tradicional                                                     Libertadora
Renovada progressivista                           Libertária
Renovada não diretiva                               Crítico-social dos conteúdos
Tecnicista

PEDAGOGIA LIBERAL: Sendo uma pedagogia própria da sociedade capitalista, ela sustenta a ideia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de papeis sociais, de acordo com as aptidões individuais. É dividida em três tendências que são:
Tendência liberal tradicional: O papel da escola consiste em preparar o aluno moralmente e intelectualmente, ou seja, prepará-lo para a vida, seu compromisso é voltado para a cultura. Seus métodos são repetitivos com exposições verbais feitas pelo professor, que é autoritário.  A aprendizagem é receptiva e mecânica.
Tendência liberal renovada progressivista: A finalidade da escola é adequar as necessidades individuais ao meio social, retratando a vida o quanto possível, por meio de experiências que devem satisfazer os interesses do aluno e as exigências sociais. Trabalha com o método de “aprender fazendo”, com atividades adequadas às etapas do seu desenvolvimento e o professor é um auxiliador desse desenvolvimento.
Tendência liberal renovada não-diretiva: A escola se preocupa com os problemas psicológicos mais do que com os pedagógicos ou sociais. Nessa tendência os conteúdos ficam em segundo plano e os processos de ensino visam fazer com que os estudantes busquem seu próprio conhecimento. É uma tendência centrada no aluno, visando formar sua personalidade.
Tendência liberal tecnicista: A escola funciona como moderadora do comportamento humano, através de técnicas específicas e atividade da “descoberta” é função da educação.  O maior interesse é de produzir indivíduos “competentes” para o mercado de trabalho, utilizando-se da ciência objetiva, eliminando-se qualquer sinal de subjetividade. Utiliza do material instrucional sistematizado nos manuais, nos livros didáticos, nos módulos de ensino e nos dispositivos audiovisuais e o professor é apenas um elo entre a verdade cientifica e o aluno que é um indivíduo que não participa da elaboração do programa educacional.

PEDAGOGIA PROGRESSISTA: Manifesta-se em três tendências: a libertadora, a libertária e a crítico-social dos conteúdos. As versões libertadora e libertária têm em comum o anti-autoritarismo, dão mais valor ao processo de aprendizagem grupal do que aos conteúdos de ensino.
Tendência progressista libertadora: Mais conhecida como pedagogia de Paulo Freire, questiona concretamente a realidade das relações do homem com a natureza e com os outros homens, visando a uma transformação – daí ser uma educação crítica. Em relação aos conteúdos, estes são extraídos d problematização da prática de vida dos educandos. É uma pedagogia que tem caráter essencialmente político, o que muitas vezes dificulta de ser colocada em prática. Utiliza-se do diálogo como método de ensino, o professor coloca-se ao nível de seus alunos, adaptando-se às suas características e ao desenvolvimento próprio de cada grupo e não elimina toda relação de autoridade.
Tendência progressista libertária: A escola assume o papel de transformadora de personalidade dos seus alunos num sentido libertário e auto gestionário por meio de mecanismos institucionais de mudança. Há, portanto, um sentido expressamente político, a medida que se tem o indivíduo  como produto do social e que o desenvolvimento do individual se realiza no coletivo. As matérias são colocadas a disposição do aluno, mas não são exigidas, pois são um instrumento a mais, porque o importante é o conhecimento que resulta das experiências com o grupo. Os alunos têm a liberdade de trabalhar ou não, ficando o interesse pedagógico na dependência de suas necessidades ou das do grupo. O professor assume um papel de orientador, catalisador, instrutor e conselheiro, ele se mistura ao grupo por uma reflexão em comum, pois a pedagogia libertária recusa qualquer forma de poder ou de autoridade.
Tendência progressista “critico-social dos conteúdos”: Diferentemente das anteriores, acentua a primazia dos conteúdos no seu confronto com as realidades sociais, conteúdos estes, vivos, concretos e, portanto indissociáveis dessas realidades. A atuação da escola consiste na preparação do aluno para a vida adulta e suas contradições. O professor torna-se um mediador de trocas de conhecimentos estabelecidos na interação entre o meio (natural, social, cultural). O papel do adulto é insubstituível, mas acentua-se também a participação do aluno nesse processo. O aprender dentro da visão dessa pedagogia dos conteúdos, é desenvolver a capacidade de processar informações e de lidar com os estímulos do ambiente, organizando dados disponíveis da experiência.
               Podemos ver então que em cada tendência pedagógica há uma postura no que diz respeito ao aluno e ao professor. Em alguma delas o professor exerce uma autoridade que como se ele fosse o detentor da verdade de forma absoluta, em outras os alunos tem a “liberdade” de escolher se querem ou não participar das atividades pedagógicas. Diante dessa perspectiva, podemos aceitar que o professor domine de forma autoritária sobre a turma, ou aluno faça apenas o que deseja? Não, pois, situar o ensino centrado no professor e o ensino centrado no aluno em extremos opostos, é quase negar a relação pedagógica porque não há um aluno, ou grupo de alunos aprendendo sozinho, nem um professor ensinando para as paredes. Há um aluno que vive em confronto com sua herança cultural e seu modo de viver e um professor, que deverá ajudar esse aluno ultrapassar suas necessidades e criar outras, para ganhar autonomia, para ajuda-lo a distinguir a verdade do erro, para ajuda-lo a compreender as realidades sociais e sua própria experiência.

Por: José Gerlan Ferreira Santos

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